Simples e profundo, e não complexo e superficial

Tai Chi Chuan é Simples e profundo, e não complexo e superficial

Aqueles que conhecem algo extremamente bem são capazes de explicar os conceitos mais abstratos em termos que leigos completos conseguem compreender. Isto não é um dom, é uma habilidade que provém do conhecimento. Existem inúmeros exemplos, antigos e modernos, de místicos e de cientistas que demonstram esta habilidade. Alguns dos mais brilhantes, como Richard Feynman (Físico), chegaram a escrever sobre o assunto.

Simples não é o oposto de profundo, mas sim de complexo. O oposto de profundo é superficial. Por isto o Taijiquan (tai chi chuan) pode ser ao mesmo tempo simples e profundo: os princípios que regem a arte são simples de serem enunciados, e uma primeira compreensão é fácil. Mas os desdobramentos dos princípios, nas suas aplicações, são infinitos. Sua profundidade é igualmente infinita, e a compreensão obtida através da prática, idem. Isto se vê, inicialmente, em explicações teóricas. Mas explicações teóricas são relativamente fáceis de serem reproduzidas. No entanto, para observar o mesmo no ensinamento prático, no movimento e na postura do corpo, é preciso encontrar um verdadeiro mestre. Um mestre é capaz de mostrar diretamente como se faz. Depois de algum tempo praticando sozinho, surgem muitas perguntas sobre os movimentos, as posturas, e a aplicação dos princípios. Ao chegar num seminário com muitas perguntas a serem feitas, vê-se-as evaporarem quando o mestre ajusta a postura do corpo do aluno, ou esquece-se-as ao ver o mestre demonstrando. Isto é o ensinamento direto.

Já alguém que não conhece bem o suficiente uma arte, não é capaz de transmiti-la em termos que um iniciante compreenda o que deve ser feito, pois para ele mesmo aquilo é muito complexo. O motivo da aparência de complexidade é que o conhecimento é superficial. Quando alguém não conhece bem Taijiquan (tai chi chuan), precisa recorrer a esoterismos incompreensíveis e a instruções impossíveis de seguir, do tipo “leve o qi para cá ou para lá”, “guie a energia com a sua intenção”, e atribuem realizações incríveis ao qi. A questão não é se estas coisas existem ou não – o ponto é que é impossível para o aluno compreendê-las, e o aluno não aprende absolutamente nada com isto. Trata-se de um mero recurso diversionista: quando não se sabe o que responder, responde-se algo incompreensível. Os mestres da família Chen não ensinam desta forma.

Ao serem indagados sobre sua arte, os mestres da família Chen fazem com que seus alunos os copiem, e corrigem e reposicionam o corpo do aluno, fisicamente, mostrando como se faz. Isto é o suficiente para dirimir as dúvidas, porque o aluno sente com seu corpo o que deve fazer, ao invés de ficar elocubrando. Somente desta forma os alunos conseguem aprender algo útil, e que os levará à compreensão real de como praticar.