Didática, Método e Princípios

Didática, Método e Princípios

É essencial para o sucesso da prática do Taijiquan (tai chi chuan) que o aluno consiga diferenciar o resultado que ele quer atingir dos meios utilizados para isto. A confusão de resultado e método faz com que o aluno não siga o método prescrito e tente obter o resultado diretamente – o que é impossível.

Didática

A forma como o ensino é estruturado é o que chamamos de didática. Isto pode ser analisado em diversos níveis. Por exemplo, o sistema do taijiquan (tai chi chuan) da família Chen é composto de várias formas de treinamento: exercícios de qigong (chi kung), sequências de movimentos com e sem armas, exercícios de tuishou, e outros. Uma aula de Taijiquan (tai chi chuan) pode ser dividida, geralmente, em três partes: a prática de zhanzhuang (zhan zhuang), de chansijin, e a prática das formas. Cada exercício, por sua vez,pode ser segmentado para melhor compreensão pelo aluno das fases que o compoem – por exemplo, as quatro fase do chansijin.
O Grão-Mestre Chen Xiaowang padronizou a didática para o sistema da sua família, e para difundir e garantir a qualidade da padronização, criou a WCTA-Br e seus critérios de certificação de professores.

Princípios

Os princípios são as normas magnas que norteiam a prática, ou, para dizer de um modo mais palpável, os princípios são aquilo que desejamos atingir um dia, depois de treinar muito. Devemos pensar regularmente neles, e são eles que definem o que fazemos. Os dois princípios mais fundamentais do Taijiquan (tai chi chuan) são: naturalidade, e o centro do corpo se move e todo resto o segue.
Conhecê-los e buscá-los é essencial para o progresso, mas eles não são o meio de progredir. Enunciar os princípios para um aluno como se isso fosse ensinar Taijiquan (tai chi chuan) é o mesmo que dar a chave de um carro para quem não sabe dirigir e dizer, “sente aí e dirija”.

Método de treinamento

Existe um método concreto que deve ser ensinado ao aluno para que ele consiga evoluir na sua prática. Este método diz respeito a exatamente como ele deve mover o corpo, e como deve aplicar sua mente para isto. O professor vale-se de três recursos para transmitir o método de treinamento: ele deve explicar verbalmente ao aluno, deve demonstrar para que o aluno olhe e veja do que está falando, e deve colocar as mãos no corpo do aluno e guiá-lo para que ele sinta.
Sem isto, não é possível que o aluno progrida. Um aluno que apenas ouça as instruções ou o enunciado dos princípios está fadado a praticar pelo resto da vida, sem evoluir além de um nível muito elementar.

Comentários dos leitores

 
Gostaria de enfatizar um aspecto: não só o aluno que apenas ouve instruções e enunciados não progride; aquele que apenas vê o movimento-modelo também tem seu caminho limitado. O toque no corpo do aluno, terceiro recurso didático que você – impecavelmente – elencou, tem que ser visto como fundamental. Parece loucura, mas quantas vezes dando aulas nós nos deparamos com alunos que se ressentem de ser fisicamente corrigidos? Sinto que o seu artigo pode ajudar essas pessoas a superarem os traumas do ensino escolar, entendendo que a correção física não é denúncia pública e humilhante do erro, mas sim a expressão mais personalizada do cuidado do mestre.
@Daniel_Luz_

O mais interesante é que para um observador externo, a pratica desse método se resume a repetir a coerografia, socar, chutar no ar e repetir exaustivamente uma sequência aparentemente inútil que não treinará a estamina, resistência força, explosão condicionamento reflexo etc. Trata-se de erro enorme! A estratégia empregada pelos originadores do método foi impecável. Conseguiu transformar uma refinada ciência corporal para emprego no campo de batalha em algo extremamente simples e aparentemente sem sentido confundindo os mais incautos, ignorantes e acima de tudo seus possíveis confrontadores.
— Bruno Diniz