Taijiquan Pro


O segredo do Taijiquan (Tai Chi Chuan)

por Eduardo

Existe um mito no meio marcial a respeito de segredos que seriam passados oralmente de mestre para discípulo, dando conta de que somente alguns poucos seriam escolhidos para receber o ensinamento completo sobre um sistema. Os supostos segredos é que tornariam um sistema marcial eficaz, e envolveriam técnicas especiais de circulação do qi e de respiração.

Seremos claros a respeito deste assunto: trata-se de um mito. Se alguém está treinando sob a orientação de um professor honesto e competente, não existem segredos. Basta analisar a questão fazendo uso alguma lógica. Ora, se um professor conhece bem seu sistema, aceita alguém como aluno, mas não ensina exatamente aquilo que é importante, isto quer dizer que este pretenso professor não é honesto – se ele não desejasse ensinar, não deveria aceitar o aluno em primeiro lugar. Por outro lado, se um outro professor não conhece bem seu sistema e fala a respeito de segredos mirabolantes, isto serve apenas para esconder dos alunos a sua incompetência.

Como então surgiu este mito sobre um certo segredo? Precisamos lembrar que existe sim algo especial no taijiquan (tai chi chuan) em primeiro lugar, que o torna eficaz: é a força espiral que o praticante desenvolve. O método para desenvolver esta força é a postura correta e o movimento nesta postura segundo o princípio de movimento do taijiquan (tai chi chuan).
Desde o primeiro encontro com um mestre da família Chen, ele mostrará como posicionar o corpo e como executar o movimento corretamente. O que muito poucas pessoas parecem compreender é que é necessário modificar o corpo para fazê-lo bem, e isto leva anos de esforço contínuo e dedicado. Não há nada de surpreendente nisto. Imagine que você deseja aprender piano, por exemplo, e que seu professor de piano é um concertista mundialmente famoso. Ele lhe dará uma demonstração incrível, mas você precisará de muito empenho para chegar a compreender a profundidade do que viu. Além disso, precisará treinar suas mãos, ajustar a força dos seus dedos com precisão, seu ouvido será adestrado e sua sensibilidade se refinará. O mesmo ocorre em qualquer arte, inclusive no taijiquan (tai chi chuan).

Alguns preferem acreditar no mito de um segredo fantástico que uma vez revelado tornará seu taijiquan (tai chi chuan) incomparável. É um sonho confortável, pois isto pouparia muito suor, mas é apenas um sonho. Na verdade o único segredo é: um bom professor, um aluno dedicado, e muito treinamento.

3 comentários sobre ‘O segredo do taijiquan’

Flávio Pessoa — 11 setembro 2009 22:25
Caro Eduardo, Neste contexto gostaria que você comentasse o significado de aluno "a portas fechadas". abraço, Flávio Pessoa
Eduardo — 20 setembro 2009 12:32
Oi Flávio, Ótima pergunta. A diferença se dá através:
  • Do tempo de aprendizado com o professor, pois aprendendo em caráter particular a exposição aos ensinamentos é mais prolongada e repetida;
  • Do tempo de contato informal com o professor. Fora do tempo formal de aula aparecem muitas oportunidades de aprendizado, quando o professor está falando sobre taijiquan (tai chi chuan) em geral;
  • Do grau e exigência do professor em relação ao aluno, e do grau de dedicação do aluno em resposta a isso.
Volto a frisar que não existe diferença no conteúdo que é ensinado, especialmente no ensinamento dos princípios e da postura, que são o ensinamento mais precioso. Por outro lado, o que eu citei acima faz diferença no progresso do aluno.
Sinn-Klyss — 28 janeiro 2010 12:18
De fato o olhar e a argúcia do iniciante vislumbra a categoria do instrutor; e na pergunta plaina a competência da hora de saber. Os afoitos fantasiam e se escoram na indolência e não alcançam conceitos, nem diretrizes, e suas pretensões escapam de suas alçadas, não conseguindo fazer de planos simples excelentes realidades. E tão plena é essa lição que também num só relance o instrutor distingue o horizonte do iniciante. Essa satisfação de atividade expressam a complementaridade. São cernes da vida, tão importantes quanto são complementares o homem e a mulher e o artista e sua arte; o matemático e seu cálculo, o físico e sua teoria, o grânulo que voleia no binário espiralado, e a flor que dança em sua beleza tornodirecional. Empolguei-me.