à Portas Fechadas

à Portas Fechadas

Treinar na casa do mestre, na China. Há dez anos que vim aqui para treinar pela primeira vez. Mesmo já tendo estado em Chenjiagou outra vez para um seminário com Chen Xiaowang, a sensação de voltar à casa de Chen Yingjun na China é a de um raio caindo no mesmo lugar pela segunda vez. Dez anos de treinamento depois, o resultado é sensível.
Ontem estávamos na laje de casa, praticando zhanzhuang sob a orientação de Chen Yingjun: primos, cunhados, concunhados, e eu. A maioria dos familiares que vem aprender com Chen Yingjun quando ele está na China, é claro, é de jovens. Alguns deles já são profissionais, dedicam-se ao Taijiquan (tai chi chuan) desde a infância, e já são responsáveis por grupos de alunos em cidades próximas. Depois do zhanzhuang (zhan zhuang), descemos para treinar tuishou. Empurrar esse pessoal está longe de ser fácil, e eu dou-me por satisfeito de apenas fazê-los suar um pouco. Praticar tuishou assim, entre familiares, é uma forma de camaradagem, e os alunos mais adiantados todos quiseram empurrar comigo. É quase como apertar a mão de um amigo a quem você é apresentado. Enquanto isto, Chen Yingjun observa e dá instruções de como melhorar.
Depois de os alunos treinarem uns com os outros, ele treina com cada um de nós. Ninguém tem nenhuma esperança de movê-lo, mas todos tentam até o fim das forças, pois é assim que se aprende, pelo contato direto com o mestre. Ele fica parado, os pés parecem estar chumbados no chão, e compensa internamente, sem esforço, as tentativas frustradas que fazemos de desequilibrá-lo.
É um privilégio e uma honra praticar com eles. Cheguei a perguntar a Chen Yingjun, “você sabe mesmo o quanto isto significa para mim, não é?”. Ele sabe.