T’ai chi ch’uan ou Tàijíquán ?

As duas grafias estão corretas, por assim dizer. Na verdade a escrita chinesa é toda feita através de ideogramas, que pode-se dizer serem estilizações de desenhos primitivos. Os pictogramas arcaicos foram sendo modificados com o uso e tendo o seu significado e sentido adaptado com os séculos, e ainda hoje alguns são inventados para expressar idéias modernas, como por exemplo “elevador”. Assim, não existe uma grafia única em caracteres romanos de uma palavra em chinês. Quando o intercâmbio com o Ocidente começou a se intensificar, principalmente após a invasão do território chinês no século XIX pelas potências européias de então, os ocidentais sentiram necessidade de criar sistemas de transliteração, de modo a poderem reproduzir textos com os seus métodos de escrita e impressão.

Um dos sistemas mais bem sucedidos deste tempo foi o Wade-Giles, e é este sistema que grafa “t’ai chi ch’uan”. Um dos problemas do Wade-Giles é que ele foi desenvolvido para ser usado por especialistas, e seu uso pelo público geral gera dificuldades. Este sistema faz uso extenso de apóstrofes para diferenciar a pronúncia de sons diferentes relacionados com a mesma grafia: existem quatro sons diferentes para o ch, por exemplo. Há também casos de o Wade-Giles representar o mesmo som com mais de uma grafia.
Em 1979 o governo da República Popular da China adotou como sistema oficial de transliteração o Hanyu Pinyin, que fora aprovado já em 1958, cujo nome quer dizer literalmente “escrever o som da língua dos Han” – Han é a etnia majoritária na China. Atualmente a ISO (Organização Internacional para Padronizações) e a maioria das instituições internacionais adota o Pinyin como sistema oficial, e o sistema é usado para escrever em chinês com computadores. O Pinyin utiliza caracteres romanos, porém atribui sons diferentes dos usados na maioria das línguas ocidentais, e por isto requer alguma prática do usuário. Além disso o Pinyin usa um sistema de notação sobre as vogais (semelhante à acentuação, visualmente) para estabelecer uma correspondência com os cinco tons de pronúncia do mandarim: existem quatro sinais, e o quinto tom é representado pela ausência deles. No Pinyin escreve-se “tàijíquán”.